Enebd 2006

August 7th, 2006 por moreno

Slides originais em www.flickr.com/photos/morenobarros

Texto na íntegra

Estou devendo um post decente, desde que retornei do ENEBD na Bahia. Como falei anteriormente, alguns computadores estavam disponíveis dentro do alojamento para acesso à Internet, o que facilitou a vida de muita gente. Mas o acesso era disputadíssimo e eu estava praticamente de férias, não queria ficar muito tempo de frente pra tela e comprometer ainda mais a minha visão debilitada pelo constante uso.

Mas não esperem muito de meus relatos, porque há muito tempo que encontros discentes pra mim viraram sinônimo de turismo, excetuando a atenção que eu tento dar pros trabalhos apresentados pelos colegas. As temáticas abordadas e as discussões que ocorrem são sempre a mesma ladainha, com muita gente choramingando (literalmente) a situação da biblioteconomia (em geral), quando um pouquinho de conhecimento epistemológico bastaria pra verificar que as discussões são totalmente inúteis.
O bom dos encontros discentes de biblioteconomia é a visibilidade que ele proporciona para os próprios alunos, que não tem voz em outros canais mais tradicionais (ver meu trabalho). Além do contato com os próprios colegas, a percepção da realidade em outras escolas, outros estados, as pesquisas realizadas, os trabalhos apresentados, projetos em conjunto, as festas, os beijos, as cidades, o TURISMO! (muitas vezes financiado pelo cnpq e reitorias? )

Do XXIX ENEBD eu (mais uma vez) guardarei boas lembranças. A comissão organizadora teve dificuldades desde o início com o fomento, patrocínio, o que causou um elevado aumento no preço das inscrições. Por um instante houve uma articulação em prol de boicote, invasão, reajustes. Mas nada disso ocorreu, e a maioria teve que se contentar com a alta dos preços e um pequeno desconto na véspera da realização do evento. No final das contas, teve superlotação, os alunos compareceram em massa. O alojamento não era dos melhores (comparado com o último enebd na UFPA, principalmente), mas deu pra comportar todos. A comida foi bem servida e na maior parte do tempo sentíamos que a alta grana estava sendo bem investida. Aliás, sempre é, pois em nenhuma outra oportunidade conseguiríamos participar de um evento, durante uma semana, sempre em cidades turísticas, com tão pouco dinheiro.

O grande lance deste enebd foi a atenção especial dada aos trabalhos discentes. Acho que mais de 60 trabalhos foram aprovados, entre apresentações orais e pôster. É o tipo de atitude que eu sempre imaginei como correta, afinal, um encontro promovido por e para estudantes, nada mais justo que contemplasse os estudantes apenas. Parabéns para a comissão científica pela sensibilidade.

Algumas decisões foram tomadas com base nos grupos de discussão, entre elas o não comprometimento com o ENADE e as alterações do estatuto do Enebd. Uma nova executiva foi formada e quem tiver alguma dúvida, pode entrar em contato.

O Roosewelt está articulando a criação de um repositório definitivo para a documentação do enebd, desde anais, até fotografias.

Eu ainda não verifiquei se os anais estão no site do evento, mas eu os possuo em cd. Se alguém precisar de algum trabalho, de alguma documentação, eu posso enviar, me comuniquem por email.

Entender o enebd é bem simples. Basta ir. Quem não vai, não sabe como é. E quem vai, não consegue descrever o quanto é proveitoso. É mais ou menos assim que funciona os sistemas de compartilhamento de informação na internet, criados pelos alunos de biblioteconomia de diversas escolas do Brasil.

Essa foi a temática do trabalho que eu apresentei. Eu tive uma catarse quando decidi não falar em termos de apresentação, e sim de consolidação, justamente pelo o que eu disse acima: não dá mais pra todo enebd ficar ?visita meu blog, minha revista, meu repositório, meu portal?. Eles estão lá, são ricos, quem participa sabe como é bom e o quanto ganha em informação. É exatamente como o Enebd, só quem participa é que ganha. Quem não participa, vai ficar ?pra sempre? confinado à sua escola, ouvindo somente aquilo o que os professores têm a dizer.

O meu trabalho fala sobre o BSF, a revista ExtraLibris, o repositório acadêmico de biblio e ci e o Profinfo. Como eu estou por trás e tenho contato direto com os gestores de todos eles, nada mais justo do que criar um trabalho que os definisse em definitivo, porque eles merecem, tanto os criados como os próprios sistemas.

slides da apresentação e texto na íntegra

Voltando ao Enebd, a próxima escola sede será UFSCar. Acho que os estudantes agora estão com medo de organizar os enebds, porque demorou bastante tempo na plenária até que alguém se prontificasse a sediar o encontro. A única que fez, levou. Bom, parabéns e boa sorte. Só espero que esse medo não persista nos próximos anos, e bem ou mal, os enebds sempre são bem organizados e valem como uma experiência de empreendedorismo e tanto (o colega Vivaldo já escreveu um trabalho sobre o que é organizar um encontro estudantil).

Vou tentar fazer uma compilação das fotos do evento, conforme os colegas forem publicando. Por enquanto, tem esses links aí embaixo:

moreno

roosewelt

zilli

isabella

marina

phablo

vídeos do youtube

Acho que é isso. Quem foi, pode contar a sua versão nos comentários.

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2 Responses to “Enebd 2006”

  1. miriam Says:

    Participar de um encontro de estudantes é sempre muito bom. Conseguir ir é o primeiro desafio, pois na maioria das vezes trabalhamos e estudamos, sendo um sufoco conseguir liberação nas datas ou mesmo depois, repor os horários. Principalmente quando estes são estágios, pois não temos vínculo com os mesmos, ficando difícil bancar os custos destas viagens, pois estes oferecem baixas remunerações.
    Outra dificuldade é organizar os estudantes para participarem. Aí vão meses de debates, uma luta para conseguir ônibus, festa, rifa, patrocínio etc. para conseguir recursos. E mesmo o apoio financeiro de órgãos privados ou da Universidade - que sempre explicita o quanto é importante estes eventos para os alunos - é outra batalha.
    Também não descartamos a maravilhosa idéia de viajar e conhecer outras cidades que, enquanto estudantes, dificilmente conseguiríamos. Estudantes de todos os cantos se encontram, cada um com sua peculiaridade. Neste intercâmbio descobrimos o quanto é igual e também diferente o mundo da ciência da informação. Participar das palestras, dos debates acalorados (e também das festas, porque ninguém é de ferro) é uma grande oportunidade de ampliarmos nossos conhecimentos.
    Para mim é realmente incrível o quanto estes encontros ampliam verdadeiramente a nossa visão em relação à profissão, e de como a biblioteconomia e todos os seus paradigmas vêm crescendo. Estes servem de conteúdo para vários debates tanto em sala de aula, quanto para subsidiar a redação de artigos. Além disso, tais eventos nos propiciam atualizar informações sobre o movimento estudantil.
    Agora o que realmente me deixa indignada é quando me deparo com situações onde estudantes tiram proveito dessas atividades. São meses de organização e preparo para receber estudantes de todo o Brasil e, quando estes chegam, se utilizam das estruturas tanto de transporte como de alojamento e alimentação ? feitas com um custo baixo ? para fazer apenas turismo e festa.
    O que constato é que pelo menos a metade dos ?participantes? não se envolve efetivamente com os encontros, o que resulta em palestras e plenárias importantíssimas completamente esvaziadas. Isso é um absurdo, não tenho como concordar com tais posturas. O Pior é que muitos ainda se acham no direito de receber um certificado para ?enriquecer? seu currículo.
    O contraditório é que, mesmo não participando das atividades que dão embasamento para as votações, muitos querem ter direito a voto nas plenárias que definem os encaminhamentos políticos e científicos destes encontros. Uns por desencargo de consciência. Outros porque se dispõem a ser meras massas de manobra de uma ou outra posição política.
    No Encontro Nacional de Estudantes de Documentação, Biblioteconomia e Gestão da Informação a Executiva Nacional se reuniu para várias vezes. Uma das pautas dessas reuniões era debater e aprovar o estatuto, que necessitava de alterações desde 2002. Propusemos que, para frear a postura de alguns estudantes que iam apenas para fazer turismo, o direito a voto bem como o direito de receber certificado fosse assegurado apenas para quem participasse de 50% do evento. Isso já acontece em muitos encontros de estudantes de outras áreas. Porém depois de ter sido aprovado este encaminhamento em plenária oficial chamada especialmente para aprovação do estatuto, alguns estudantes despolitizadamente para articular um abaixo-assinado onde mal explicavam o que estava acontecendo e até mentiram, falando que a Executiva estava decidindo tudo sozinha. Por fim, conseguiram, com sua agitação despolitizada, reverter esse item.

    Fruto de nossa participação e intervenção ao longo de todo o Encontro, fui eleita na Plenária Final para compor a nova Executiva Nacional do Estudantes de Biblioteconomia. Topei este desafio não por vaidade ou para acrescentar mais um item em meu currículo, mas por acreditar que posso contribuir com nossa organização nacional e com nossa entidade. E desde já me coloco à disposição dos estudantes de Bibliotenomia da UDESC e da UFSC para sugestões e contribuições, pois não me pretendo representante de mim mesma, mas sim de uma reflexão e disposição de luta coletivas.

    Acredito que encontros como o ENEBD fazem parte também de nossa formação. Portanto, é necessário que tenhamos uma atitude para não deixar nossos encontros virarem apenas um ?passeio? de estudantes. No ano que vem o EREBD SUL será em Florianópolis. Será organizado pelos estudantes de biblioteconomia da UFSC com apoio de estudantes da UDESC. Proporemos-nos a organizar um encontro apenas para o turismo de estudantes em Florianópolis? Acredito que é fundamental fazermos esse debate para termos estudantes atuantes, politizados e que se constituam futuramente em profissionais organizados e comprometidos com a classe.
    Termino por aqui fazendo duas citações que talvez resgatem um pouco do verdadeiro objetivo de nossos encontros:

    ?O ENEBD representa a maior instancia deliberativa do movimento estudantil de Biblioteconomia, Documentação, Ciência e Gestão da Informação…? (REGIMENTO DO XXIX ENEBD);

    ?É um evento estudantil que acontece todos os anos em um estado brasileiro e tem por objetivo, promover a difusão do conhecimento e experiências, bem como, o intercambio social, cultural e acadêmico, contribuindo desta forma para a atualização e aprimoramento na formação de estudantes e profissionais na área de Biblioteconomia, Documentação, Ciência e Gestão da Informação…? (site do encontro).

    Miriam Mattos
    Estudante de Biblioteconomia UDESC/SC
    Membro da Executiva Nacional do Estudantes de Biblioteconomia
    miriammattos@gmail.com

  2. maria do socorro dos santos Says:

    estou interessada no curso de bibliotecaria, a distancia, vcs podem me deixar informaçoes sobre o mesmo.

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