Crítica da informação

August 14th, 2006 por Tiago Murakami

O texto Crítica da informação: onde está?, de Jack Andersen que está disponível no ExtraLibris é um daqueles textos que nos permitem uma grande reflexão sobre a nossa profissão. Farei aqui um resumo da reflexão para demonstrar o quanto o texto é importante e vale uma leitura.

Andersen discute a falta de engajamento dos bibliotecários no discurso público:

?O discurso de sua bagagem disciplinar, a biblioteconomia, se preocupa mais com problemas prescritos do que problemas descritivos e analíticos. Durante seu treinamento, os bibliotecários não são introduzidos às teorias, escolas de pensamento, disciplinas acadêmicas e conhecimento necessário para engajar no discurso público simplesmente porque a biblioteconomia se coloca distante da sociedade e da cultura através de seu discurso técnico e gerencial, apesar de o campo claramente não hesitar em expor sua significância social e cultural. Dessa maneira, a biblioteconomia falha em produzir críticos da informação e, conseqüentemente, também falha em desenvolver uma posição crítica em razão dos objetos da disciplina.?

Andersen cita Habermas (1996) ao afirmar que a sociedade é a unidade básica da organização do conhecimento. Possui estruturas e esferas particulares organizadas de acordo com interesses particulares e atividades. E a partir dessa afirmação, cria um esboço das formas de conhecimento organizado e mediado na sociedade:

Organização social GERA
Religião, direito, política, ciência, economia, educação, arte, comércio, indústria e administração, que GERA
Documentos e informação afiliada com instituições que sustentam e mantêm estruturas sociais, poder e influência, que GERA
Produção e distribuição, através de uma variedade de gêneros: livros, artigos, jornais, leis, reportes, memorandos, propaganda, noticiários, panfletos e diferentes situações comunicativas, que GERA
Sistemas de organização do conhecimento

E argumenta:

“A parte da sociedade que mais importa para os bibliotecários é aquela onde o conhecimento ou a informação, materializados em uma variedade de gêneros, circula, e qual papel os sistemas de organização do conhecimento possuem em relação a essa circulação, que implica preocupação com o impacto que a circulação do conhecimento exerce sobre a sociedade. Se esse for o caso, significa que qualquer análise e crítica dos sistemas de organização do conhecimento devem ser direcionadas e compreendidas em relação às formas do conhecimento organizado na sociedade”

Ele nos demonstra que se atuarmos como críticos da informação, poderíamos contribuir para a desmistificação dos sistemas de organização do conhecimento na esfera pública, através da discussão e justificação do porque os sistemas de organização do conhecimento e suas funcionalidades são importantes para o público. E ainda:

?A biblioteconomia precisa argumentar que esses sistemas fazem uma diferença dentro da sociedade, e também mostrar como eles afetam nossas atividades profissionais e diárias. Bibliotecários podem e deveriam fazer isso ativamente, atuando como críticos das estruturas de comunicação textualmente mediadas da sociedade. Se as pessoas puderem ver que a funcionalidade dos sistemas de organização do conhecimento está conectada com problemas sociais e culturais, então eles poderão compreender porque tais sistemas funcionam da maneira que funcionam, e assim, as pessoas poderão ver que como outros tipos de informação, os sistemas de organização do conhecimento estão sempre fundados em ideologias particulares. Possui uma ideologia particular não é necessariamente ruim. O problema é não ter ciência da presença da ideologia. A responsabilidade social e cultural básica do crítico da informação deve ser informar a sociedade sobre a existência de ideologias implícitas nos sistemas do conhecimento.?

Leia a tradução em:

ANDERSEN, Jack. Crítica da informação: onde está?. ExtraLibris, 2006. Disponível em: Extralibris.

E o original:

Original: ANDERSEN, Jack. Information criticism: where is it? Progressive librarian, 2005. Disponível em: Libr.org.

E as outras referências citadas:

Habermas, J. (1996 [1962]). Structural Transformation of the Public Sphere: An Inquiry Into a Category of Bourgeois Society. Translated by Thomas Burger with assistance of Frederick Lawrence

Depois de refletir sobre esse texto, percebi que o post abaixo precisa ser reescrito.



6 Responses to “Crítica da informação”

  1. Cláudia Says:

    Excelente!!!

  2. Lene Says:

    O problema do bibliotecario ser apatico politicamente é pq são preocupados com seu proprio umbigo, existem varios Congressos, Seminario, mais em nenhum desses eventos se discutem politicamente ações para a valorização da profissão na sociedade. Se tem so fica no papel. O nosso CRB e CFb so exite apenas para termos a licença para trabalhar.

  3. Fabiano Says:

    Não apenas apatia política ou umbiguismo, mas é também essa mania de tecnologias informacionais que domina “corações e mentes”, eheheh. Aí a galera esquece o lado social, nossa função legítima de disseminadores de informação. De que adianta tanto estudo acerca das novas tecnologias, se as utilizamos para fins elitistas?

  4. Luciana Says:

    Vcs não vão atualizar?

  5. ana carolina Says:

    oi galileu
    eu adoro assistir o mundo da leitura tambem adora vc e boralheira voces sao um lino casal eu tambem adoro os tavas linguas e as charadas do mil-fases,
    eu gosto de todos aí do mundo da leitura menos do recoreco e da ratazana eles vivem fazendo maldades…
    te adoro e tambem a nate,a boralheira,omil-fases

  6. alan Says:

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